Japão: estarrecimento e admiração!

Estarrecimento, impotência, apreensão, indignação são alguns dos sentimentos provocados em muitos pela tragédia japonesa. O termo “cisne negro” cunhado por Nassin Taleb, que caracteriza eventos inesperados, às vezes cíclicos e cataclísmicos, foi relembrado e, muito bem extrapolado por Monica Baumgarten, quando se referiu aos ”três cisnes negros” que atingiram simultaneamente o Japão: terremoto, tsunami e desastre nuclear, em sua análise econômica sobre os efeitos da crise japonesa sobre o Brasil. Uma correlação figurada muito aderente a situação atual japonesa.

As cenas que a cada minuto temos recebido são chocantes e inacreditáveis. Cenas de filme de terror? Muito mais que isso. Estarrecedoras! Imobilizadoras. Tristes. É o imponderável se fazendo presente de uma forma tridimensional, presente, visível, de forma assustadora e irritantemente ritmada, mostrando toda a sua força, e pior, criando a expectativa de que a próxima cena pode ser um pouco mais dramática. Espetáculo da força ambiental nunca antes tão divulgado, gravado, acompanhado e analisado, que nos dá a impressão de estar testando a cada segundo o grau de resiliência do povo japonês.

Enquanto o mundo todo, em especial o lado Ocidental, está analisando o impacto da queda do grande samurai sob o ponto de vista econômico, o povo japonês a sua maneira tem evidenciado de forma pungente a força de seus valores. Com hemorragia exposta em grande parte dos seus membros, a altivez japonesa tem chamado atenção, não para o drama, mas para a resiliência; não para o desespero e a desesperança, mas para a compaixão, paciência, ordem e acima de tudo para a esperança. Quando vemos a imagem rara, das emoções expostas daquele povo, nos sentimos aliviados e pensamos: eles não perderam a capacidade de chorar! A válvula de pressão está funcionando! Graças a Deus!

Admiração, respeito e reconhecimento afloram em quem está acompanhando o sofrimento japonês sob outros pontos de vista e interesses, que não o econômico. O exemplo decorrente da postura consistente e coerente do seu povo será a grande lição a ser aprendida. A importância da consciência de ser de um povo está sendo evidenciada de forma tão contundente quanto a força destruidora que a natureza esta demonstrando. Os valores, os mais altos valores, que uma sociedade pode ter, estão sendo exemplificados e literalmente vivenciados e filmados. Há muito tempo, nós brasileiros não sabemos o que significa o termo “bem comum”. Estamos tendo a oportunidade para relembrar e realmente entender o que isso significa. Ordem, solidariedade e respeito, em lugar de saques e expropriação; compaixão ao invés de coação e abuso de força e poder. A força do exemplo é, e será, inesquecível. A força da vida em meio a destruição!

Indignação e revolta sentimos, com a atitude de alguns, que se aproveitam desta tragédia para evidenciar o lado sórdido do ser humano, baixo, pouco solidário, como comentários infelizes de algumas celebridades, que na tentativa de se manter sob os holofotes, têm dado declarações desrespeitosas e desumanas sobre os acontecimentos. Por outro lado, exemplos como o de Dom Walmor Oliveira de Azevedo, nosso arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, que no lançamento da campanha da fraternidade 2011, na Serra da Piedade, convocou centenas de pessoas presentes, a um momento de silêncio e reflexão fraterna, sobre a situação dos irmãos japoneses. Sensibilidade, compaixão, respeito demonstrados nos enchem o coração de carinho e esperança na espécie humana.

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