Tive o privilégio de participar do painel de abertura do 11º Seminário Mineração & Comunidades, promovido pela Brasil Mineral e pela FIEMG, ao lado de profissionais que admiro profundamente: Maria José Salum, Eduardo Leão e Rosane Santos, com mediação sempre precisa de Cristiane Paschoin.
O tema provocativo — “O ESG morreu?” — abriu espaço para um debate necessário sobre o momento de transição que vivemos. Chegamos a conclusão que, longe de ter acabado, a agenda ESG atravessa uma fase de amadurecimento realista, migrando do marketing para a gestão de riscos e soberania operacional.
Iniciando com a competente abertura e contextualização da Cristiane Paschoin,tivemos o privilégio de escutar sobre Regulação, mercado e governança com Maria José Salum que trouxe uma leitura essencial sobre o movimento regulatório global. Enquanto o Brasil flexibiliza exigências, a União Europeia aprofunda a rastreabilidade e a qualidade dos dados.Sua mensagem foi clara: não existe ESG transformador sem governança corporativa forte.
O segundo ponto de vista, Do Relatório para o Território foi dado por Eduardo Leão gerente da G Mining Ventures que trouxe a visão do campo, afirmando que, para a mineração, o ESG (ou sustentabilidade) sempre foi uma condição de existência. Ele alertou que, muitas vezes, relatórios de 100 páginas atendem apenas ao mercado financeiro, enquanto o verdadeiro desafio está no território. Leão defende que a empresa deve “sentir-se parte do território” para conquistar a licença social para operar, citando exemplos práticos como o treinamento em direitos humanos e investimentos em infraestrutura local em regiões inóspitas.
Compartilhei minha visão de que o ESG chegou como um meteoro no pós pandemia, escancarando vulnerabilidades globais em todas as dimensões da sigla. Mas o cenário geopolítico recente — da guerra na Ucrânia ao conflito Israel–Hamas — deslocou prioridades e “machucou” especialmente o E e o S.
Hoje, o setor mineral vive a era da soberania operacional: sustentabilidade precisa ser pagável, mensurável e capaz de garantir a continuidade das operações. Não é mais sobre reputação; é sobre sobrevivência estratégica.
E Rosane Santos, sintetizou o momento com precisão: “O ESG não morreu — ele ficou adulto.” A agenda deixou de ser domínio da comunicação e se tornou pilar da gestão de riscos. No setor mineral, depois de tudo o que vivemos, não há margem para errar novamente.
E por fim, A mediadora Cristiane Paschoin costurou o debate destacando que o ESG vive um momento de transição. Não se trata de fim, mas de depuração. Segundo ela, o setor mineral tem a oportunidade de transformar o ESG em algo mais técnico, mensurável e conectado ao território — longe do modismo e perto da realidade.
Saí do painel com a convicção de que:
- O ESG não acabou — está amadurecendo.
- A materialidade e o retorno financeiro guiam as decisões.
- A mineração responsável não é pauta política, é compromisso com o futuro dos territórios.
- Transparência radical e benefícios mútuos são a nova base da legitimidade.
Foi uma honra contribuir para essa conversa ao lado de pessoas tão qualificadas e comprometidas.
Seguimos trabalhando para que a sustentabilidade deixe de ser discurso e se torne, de fato, soberania operacional e valor compartilhado.







