Especial: os “8 Ps” da governança corporativa em nove empresas brasileiras (parte 2)

Dando continuação a série de publicações com o resultado da avaliação situacional dos “8Ps” da Governança Corporativa em nove empresas brasileiras (2006 a 2011), hoje apresentamos a segunda parte, que versa sobre as características das empresas selecionadas.

O levantamento foi realizado pelo economista e professor José Paschoal Rossetti para o livro “Governança Corporativa em Empresas Familiares”, lançado este ano pelo IBGC, no Congresso de Governança Corporativa, realizado em São Paulo.

Características das empresas selecionadas

De um universo de quinze empresas em que a metodologia foi aplicada, doze são familiares de capital fechado. Das doze, selecionamos nove, todas com uma característica comum: já contavam com Conselhos de Administração.

Entendemos que não se trata – e por várias razões metodológicas – de uma amostra representativa do universo destas empresas no Brasil. Ainda assim, admitimos que seja um conjunto significativo, tanto para avaliar a eficácia do método que empregamos, quanto para apontar problemas comuns identificados nestas empresas, como ainda para tipificar seus ambientes de governança.

O conjunto das nove empresas é qualificável por três atributos revelados na Figura 2. Setores de atividade; 2. Dimensões econômicas; e 3. Estágios geracionais. O levantamento situacional, em todas elas, foi realizado com questionário respondido por acionistas atuantes na administração (Conselho ou Diretoria-executiva), por acionistas não administradores, por sucessores indicados pelas famílias e por diretores e gerentes indicados pelos administradores.

As respostas aos questionários foram precedidas, em todas as empresas, por entrevistas individuais estruturadas, focadas nas percepções dos entrevistados sobre questões relacionadas a cada um dos “8 Ps”. A mediana do número de entrevistados, por empresa, foi de 17.

Os resultados que apresentaremos são de 126 questionários respondidos. O número de questões levantadas variou entre as empresas, em função do estágio geracional, de particularidades culturais, da estrutura societária e da administração. A listagem apresentada nos Quadros 1 a 8 abrange todas as 53 questões que foram formuladas para as nove empresas. Na tabulação dos resultados das nove empresas adotamos médias aritméticas, ponderadas pelo número dos respondentes de cada empresa.

A construção dos Quadros 1 a 8 evidencia o método de aferição dos “hiatos de governança”. Em escala de zero (situações críticas) a dez (boas práticas), são registradas pelos entrevistados as percepções (subjetivas) ou as condições (objetivas) efetivamente observadas na empresa.

Assumimos que as médias das respostas são aproximações que revelam, com aceitável correção, a situação observada na empresa em que um dos aspectos avaliados. Um dos indicadores da aceitabilidade das avaliações é a pequena discrepância entre as avaliações individuais: os desvios-padrão das médias, em todas as empresas, foram relativamente baixos.

Os hiatos são as distâncias em relação às boas práticas, descritas como “situações desejáveis”. Apresentados em gráficos tipo “teia de aranha”, de oito eixos, dão uma visão comparativa dos “8 Ps”, evidenciando os desvios mais críticos e que geralmente requerem maior atenção, em processos de adequação do ambiente e do sistema de governança.

As respostas a cada uma das questões, agrupadas em blocos que sintetizam os pontos cruciais de cada um dos “8 Ps”, sinalizam inadequações e chamam a atenção para condições específicas ou processos que serão objeto de ajustes. Estas sinalizações são complementadas por aspectos colhidos nas entrevistas preparatórias com os respondentes, que evidenciaram pontos positivos em cada eixo, bem como as razões prováveis e mais evidentes de as avaliações, em cada questão, não terem sido “dez” – ou seja, rigorosamente aderentes às “práticas desejáveis”.

Leia também:

Parte 3 – “A propriedade”

Todas as publicações do especial “Os “8 Ps” da governança corporativa em nove empresas brasileiras”

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