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A maré negra da comunicação da BP diante da crise no golfo do México

A maré negra que atingiu desde o dia 20 de abril, a região do golfo do México e agora respinga sobre o CEO da petroleira britânica BP, antiga British Petroleum é um exemplo de como comunicação corporativa ainda é mal empregada em momentos de crise. O acidente na plataforma “Deepwater Horizon”, que explodiu a 80 km da costa dos Estados Unidos, provocando a pior catástrofe ambiental da história do país, matando 11 trabalhadores e prejudicando milhares de pessoas que perderam seus meios de vida depois do desastre, mostra como as empresas continuam a conviver com os autoenganos do “conosco nunca irá acontecer” ou então do “está tudo sob controle”. Pouco depois do vazamento, ainda no mês de abril, Hayward que é CEO da BP desde 2007, disse que o desastre teria um efeito ambiental limitado. No final de maio, com a catástrofe mais do que confirmada, Hayward afirmou que a situação estava sob controle. Já ontem, 17 de junho, Tony Hayward iniciou seu discurso no Congresso norte-americano pedindo desculpas. “Peço imensa desculpa pela explosão e pelo derrame. Ninguém sabe porque é que isto aconteceu, mas a BP vai fazer tudo o que está ao seu alcance para que um desastre destes não volte a se repetir”, afirmou. A lentidão no processo de gerenciamento de crise e a falta de transparência informacional com que a BP tem tratado o desastre só demonstram o despreparo de seus líderes empresariais diante de situações de crise. Estar preparada é estar constantemente se preparando e, principalmente, aprendendo com

Na Europa, princípios cristãos pautam mecanismos de regulagem de práticas corporativas

A demanda por ações éticas vem crescendo a cada ano devido à intensificação das preocupações dos investidores quanto ao meio ambiente e à incerteza sobre como as instituições financeiras obtiveram lucros após a crise global. A partir desse escândalo financeiro, que afetou diretamente o ritmo das atividades bancárias e das bolsas, o mundo dos negócios tem se preocupado cada vez mais em criar mecanismos de regulagem para que as boas práticas corporativas sejam monitoradas. É o que vem acontecendo com a proliferação de inúmeros fundos éticos e, o que agora parece entrar também na pauta das instituições religiosas. O primeiro índice cristão de ações da Europa foi lançado em abril deste ano, em resposta à crescente demanda dos investidores por ações ditas éticas. O índice Stoxx Europe Christian compreende 533 companhias européias, dentre elas estão, HSBC, Nestlé, Vodafone, Royal e Dutch Shell, que só obtêm receitas de fontes que não faturam com pornografia, armas, tabaco, produtos de controle de natalidade, jogos de azar, entres outros princípios cristãos. Estas empresas já faziam parte do Stoxx Europe 600, com as ações mais líquidas das maiores bolsas de 18 países europeus. Também surgiram alguns índices de ações que respeitam a sharia, isto é, a lei islâmica. Esses índices atraíram o rico grupo de investidores árabes que seguem o código canônico do Alcorão. Dentre as empresas, está a fabricante do Blackberry, Research Motion. Leia também: Metodologia dos 8P da governança

Brasil é líder de emergentes em governança corporativa

Alguns dos principais investidores do mundo elegeram o Brasil com o país em desenvolvimento com a melhor governança corporativa. O País recebeu 71% dos votos de uma plateia de cerca de 350 investidores reunidos ontem, em Toronto (Canadá), em um painel do encontro anual da Aliança Internacional de Governança Corporativa (ICGN). O restante dos votos foram distribuídos entre China, com 15%, Índia, com 9%, e Coreia do Sul, com 5%. O ICGN tem 480 membros em 45 países. Os investidores filiados à entidade administram cerca de US$ 9,5 trilhões. Entre os membros, está, por exemplo, o CalPERS (Fundo de Pensão dos Funcionários Públicos da Califórnia). É o maior fundo de pensão do mundo, com investimentos de US$ 55,2 bilhões em 2009. “Esse resultado demonstra que os investidores estão se sentindo mais protegidos no Brasil do que em outros países”, disse José Luiz Osório, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e sócio da Jardim Botânico Investimentos. Osório participou do painel como palestrante, representando o Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Leia também: Evolução dos padrões da Governança do Estado Brasileiro

Sem acordo global na Conferência do Clima (COP-15), empresas brasileiras anunciam metas próprias para reduzir carbono

Um grupo de 35 companhias brasileiras, dentre elas, bancos, operadoras de telefonia, geradoras e distribuidoras de energia, mineradoras, indústrias de cimento, cosméticos, alimentos e petroquímica divulgará no dia 22 de junho quanto emitem de gases do efeito estufa. A iniciativa, inédita no país, inaugura mudanças na cultura e na gestão empresarial em prol de uma economia de baixo carbono, além de confirmar o atual peso das questões ambientais nas agendas de negócios brasileiros. De acordo com o estudo global da consultoria McKinsey, divulgado em fevereiro, mais de 50% dos executivos consideram a governança corporativa e a gestão ambiental e social muito ou extremamente importantes para o desenvolvimento de novos produtos, para a estratégia empresarial e para a imagem da companhia e suas marcas no mercado. Mas só 30% dizem buscar ativamente oportunidades para investir em sustentabilidade, incorporando-a, por exemplo, a suas práticas comerciais. Embora a sustentabilidade aplicada aos negócios ainda seja uma sustentabilidade modesta, os executivos compreendem cada vez mais que a mudança climática é real, precisa ser controlada e que o mundo dos negócios precisa atuar de forma mais consistente. Catástrofes naturais geram perdas econômicas incalculáveis e o aquecimento global, provocado pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera favorece esse tipo de evento. Vários acionistas já exigem que as empresas informem, em seus relatórios de administração, os níveis empresariais de emissão de gases de efeito estufa. E é o que as empresas brasileiras já começam, por iniciativa própria, a correr atrás com a divulgação desse inventário de carbono.

Ação de atores médios em temas estratégicos desperta cada vez mais a atenção internacional

Em reportagem “Os riscos da governança global”, o jornal Valor Econômico analisa o papel desempenhado por Brasil e Turquia no acordo nuclear com o Irã, revelando as insuficiências da velha governança, nascida após a Segunda Guerra, e a iminência de um novo cenário, onde atores médios ganham cada vez mais liderança em temas estratégicos. Apesar da reação dos EUA, o acordo com Teerã chamou a atenção para o provável fim do monopólio político das grandes potências e para uma nova configuração da geopolítica. “A crise econômica foi um divisor de águas da história e vemos com clareza que o mundo está se configurando de maneira diferente”, observa Felipe González, ex-presidente espanhol. Dominique Moisi, professor visitante da Universidade de Harvard, completa: “O longo período de dominação ocidental, encorajada e acelerada pelos próprios erros e comportamento irresponsável, está acabando”. Neste novo cenário mundial, países emergentes como Brasil, China e Índia terão um papel diplomático mais consistente em questões da governança global. O Deutsche Bank estima que as economias emergentes poderão ter um crescimento acumulado de 30% até 2012, comparado a apenas 5% nos países desenvolvidos – o que irá refletir nessa relação de forças. Segundo o diplomata e sociólogo Paulo Roberto de Almeida, o conceito de governança (e não governo) global tem a ver com a gestão partilhada de problemas comuns, como segurança e estabilidade (o controle de Estados belicosos e de movimentos terroristas), com o crescimento sustentado de países pobres (Estados falidos podem exportar a sua miséria) e com a preservação ambiental (desequilíbrios provocados

A governança corporativa no cenário de crescimento do tamanho das empresas brasileiras

Em entrevista ao Valor Econômico, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca avalia a evolução do poder de barganha das empresas brasileiras no cenário internacional e a importância da governança corporativa para o crescimento do mercado de capitais. Confira, a seguir, a entrevista na íntegra: Empresas de grande porte fazem bem ao país, diz Giannetti Por Graziella Valenti, de São Paulo 01/06/2010 O economista Eduardo Giannetti da Fonseca acredita que é bom para o Brasil o crescimento do tamanho das companhias, que passam a ser atores importantes no cenário internacional. Para o especialista, professor do Insper e PhD em Economia pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, o risco de as sociedades se tornarem reféns de grupos gigantes pode ser controlado com a disciplina do próprio mercado, tanto testando a competitividade das empresas quanto exigindo maior transparência. Valor: Qual impacto econômico que a consolidação setorial e o “agigantamento” das companhias traz para o país? Eduardo Giannetti: É uma notícia bem-vinda, essa do crescimento do número de empresas de grande porte no Brasil. A consolidação de posições fortes de mercado não ocorre só no Brasil. É uma tendência mundial. Traz grandes ganhos de escala e a possibilidade de uma atuação mais presente num mundo globalizado, que exige porte para se tornar um ator relevante. O que me preocupa no Brasil é o desaparecimento da classe média das companhias. A gente não vê muita renovação no segmento das pequenas e médias com potencial de se tornarem grandes. Há um vácuo no segmento intermediário. Não se vê, por

10ª Pesquisa Global de Fraudes da Ernst & Young revela crescimento da corrupção empresarial

A 10ª Pesquisa Global de Fraudes da Ernst & Young revela crescimento da corrupção empresarial. O levantamento ainda revela certo desconhecimento do empresariado em relação às leis internacionais antifraudes, Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) e alerta sobre a emergência de se criar políticas de anticorrupção mais eficazes para reduzir o número de fraudes dentro das empresas. Confira os principais resultados do estudo: Prejuízos gerados pelas fraudes: Somente os dez principais processos do FCPA de 2007 somaram mais de US$ 175 milhões em multas. Já o número de casos investigados pelo comitê anticorrupção da OECD – que envolve 36 países – subiu de 51, em 2005, para 270, em 2007. Um em cada quatro entrevistados admite ter tido problemas relacionados à corrupção nos últimos dois anos; Setores mais suscetíveis à corrupção: mineração: 47%; serviços públicos: 43%; seguros: 41%. Responsabilidade pessoal em fraudes, suborno e corrupção: 76% dos entrevistados notaram que os Conselhos de Administração estão mais preocupados com a possibilidade da responsabilidade pessoal em fraudes, suborno e corrupção: Conselho da América Latina: 95%; Conselho do Oriente Médio e África: 87%; Conselho da Europa Central e Oriental: 84%; Conselho da Austrália: 81%. Medidas de proteção: Apesar da percepção dos executivos da área financeira (CFOs) sobre o aumento do número de fraudes e corrupção, as medidas de proteção ainda são escassas e insuficientes. Na Europa Ocidental, por exemplo, enquanto nos últimos dois anos, os casos de fraude empresariais saltaram de 10% para 21%, apenas quatro em cada dez CFOs foram acionados para revisar controles antifraude, e

A universalidade dos princípios de governança corporativa

A base ética da governança consiste nos princípios. Por sua universalidade, eles estão presentes nos códigos de boas práticas hoje editados em todas as partes do mundo. Os fundamentos valorizados são compliance, disclosure e accountability. Leia mais sobre Princípios, um dos 8Ps da governança corporativa. Confira também a síntese conceitual sobre cada P da Governança Corporativa!

Blog “Governança Já” na web

As experiências vivenciadas no mundo corporativo aliadas ao mundo acadêmico estimularam a criação deste blog, que procura fomentar as discussões e elucidar temas como governança corporativa, governança do estado e governança global. Pautado nas percepções pessoais da autora, tendo em vista a dificuldade do entendimento conceitual do tema e a consequente transposição para o dia a dia das empresas, instituições políticas, privadas e estatais, bem como a aderência do público em geral aos valores de governança, são cada vez mais questões pertinentes, inseridas no campo estratégico da diversidade e complexidade dos cenários contemporâneos. Os quatro valores da Governança, Fairness, Accountability, Disclosure e Compliance, são percebidos como um grito da sociedade à ética governamental e corporativa, ao resgate do senso de justiça, da prestação responsável de contas, da transparência nas relações institucionais com todos os seus stakeholders e da conformidade legal em todas as instâncias. Provocar esta discussão e clarear conceitos são alguns dos objetivos deste blog. Juntos iremos construí-lo. Gostaria de contar com a sua participação, por meio de um envolvimento construtivo, competente e íntegro! Atenciosamente, Adriana de Andrade Solé